segunda-feira, 30 de junho de 2014


25 de dezembro de 2013
O filho vem exigir a presença da mãe. A mãe implora para dormir mais um pouco. O filho nega. A mãe sugere ao filho chamar o avô. O filho diz que tem vergonha. A mãe insiste que o avô é puro amor. O filho nega e quer a mãe. A mãe, sonada, faz uma chantagem:
- Só desço se me trouxeres uma caixinha branca daquelas que estão na geladeira.
O filho sai do quarto escuro e gelado. A mãe volta a dormir. O filho retorna, larga a caixa aberta por sobre o corpo da mãe e diz:
- Te espero lá embaixo.
A mãe vai tateando, meio dormindo, a caixa. Saem quindins, camafeus, olhos de sogra, trouxas de nozes, glaceados diversos. A surpresa do que chegará à boca no escuro parece tornar os sabores mais intensos. Entre sonhos com Joey Ramone (leiam o livro "Eu dormi com J. R. ,escrito por seu irmão e Legs McNeil), ela vai ingerindo o açúcar mais bem elaborado do mundo sem consciência. É só quando a mão percorre a caixa plena de papéis e vazia de gulodices que o estrago é percebido. Ela acende a luz. Se olha. Corre para o espelho. Se olha. Em algum momento algo acontecerá, bolhas, bolas, erupções e, pior de tudo, morte por overdose de ovos moles e açúcar. Adeus filhos, adeus mundo. Mamãe morreu feliz.

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